Auditoria de conta de água: a despesa que ninguém confere

Quarta-feira

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Todo custo relevante de uma operação passa por alguém. A folha tem dono. Os impostos têm dono. Matéria-prima, logística e investimento entram em reunião, viram linha de planilha e recebem revisão quando o ano vira. Auditoria de conta de água e energia, não.

 

Essas contas são tratadas como despesa inevitável: chega a fatura, o financeiro confere contra o orçamento, aprova dentro do prazo e segue. No ano seguinte, a linha é montada com o valor do ano anterior mais o reajuste. A premissa implícita, nunca testada, é que o valor base estava correto.

 

Foi exatamente essa premissa que Lucas Souza, CEO da We Save, colocou em questão no décimo episódio da segunda temporada do ABC Cast Conexões, do portal ABCdoABC. A entrevista tratou de algo que quase não aparece em discussão de custos: a diferença entre uma despesa previsível e uma despesa correta.

 

Previsível não quer dizer correto

 

A previsibilidade é o que faz essa conta passar despercebida. Quando o valor chega todo mês dentro de uma faixa parecida, a leitura natural é que está tudo sob controle. O gestor olha o total, compara com a média dos últimos meses, não encontra salto e aprova.

 

O que essa leitura não alcança é a metodologia por trás do número. Sob qual categoria a unidade está cadastrada. Qual base está sendo usada para cobrar o esgoto. Se o histórico é de medição real ou de estimativa. Se a regra aplicada hoje é a mesma que valia quando o cadastro foi feito.

 

Nada disso aparece no valor final. E são justamente essas camadas que determinam o preço do metro cúbico e a base de cálculo da cobrança.

 

Onde o erro de cobrança costuma estar na conta de água e esgoto

 

Na entrevista, quatro origens recorrentes aparecem, e nenhuma delas é desperdício de consumo:

 

Cadastro desatualizado. A unidade foi registrada em um momento e a operação mudou depois, com ampliação, troca de equipamento ou alteração de atividade. O cadastro não se atualiza sozinho.

 

Enquadramento tarifário incorreto. Duas unidades do mesmo grupo, com a mesma atividade e porte equivalente, podem estar em categorias diferentes simplesmente porque foram abertas em épocas diferentes, sob regras que mudaram no meio do caminho.

 

Cobrança por média. Quando um mês fica sem leitura, a conta é estimada. Se isso se repete, a estimativa vira referência e deixa de corresponder ao que a operação realmente consome.

 

Critérios de medição que não refletem a operação. Em hospital e em indústria, parte da água medida no hidrômetro evapora em processo ou fica retida no produto e nunca chega à rede coletora. A cobrança de esgoto, no entanto, costuma aplicar um fator sobre todo o volume medido.

 

Repare no que essas quatro origens têm em comum: são questões de registro e de regra, não de execução. A origem costuma estar em algo cadastrado anos antes de a equipe atual assumir, sob uma norma que já foi revogada.

 

Por que isso passa por tanta gente sem ser pego

 

A resposta mais comum quando o assunto aparece é que já existe alguém cuidando disso. E quase sempre é verdade. Alguém cuida.

 

A questão é o que exatamente está sendo cuidado. O pagamento tem dono: o financeiro valida contra o orçamento e aprova. O contrato tem dono: compras ou jurídico olham, em geral na renovação. O enquadramento tarifário é uma terceira camada, e responder por ela exige combinar informação de áreas que não conversam entre si, ou seja, o cadastro da concessionária, a atividade real da unidade, o que a operação de fato lança na rede e a regra vigente, que muda.

 

Não é que ninguém cuide. É que essa pergunta específica pode não estar no escopo de nenhum dos dois. Aprovar e conferir são tarefas diferentes.

 

Da planilha à plataforma de gestão de utilities

 

A We Save nasceu em 2022 como Water Economy, a partir dessa constatação. O ponto de partida, contado no episódio, foi perceber que os problemas com concessionárias só chegavam ao cliente quando já tinham virado disputa judicial, tarde demais para tratar o assunto como gestão.

 

No começo, a análise era manual: os sócios liam fatura por fatura e comparavam com a norma aplicável a cada região e concessionária. O modelo funcionou até encontrar uma operação com cerca de 1.500 contas de consumo. Nesse volume, leitura manual deixa de ser método e passa a ser gargalo.

 

Foi o que levou à Wave, a plataforma própria desenvolvida em 2023, que cruza as faturas com normas, parâmetros tarifários e as regras de cada concessionária. Ela reúne as contas das unidades em um só lugar, mantém o histórico comparável entre períodos e entre unidades, e sinaliza quando o consumo de uma unidade foge do próprio padrão, sem esperar o fechamento do ciclo.

 

"A plataforma identifica padrões, aponta inconsistências e acelera a análise", resumiu Lucas Souza no episódio.

 

A diferença prática não é ter os dados. É poder comparar. Enquanto cada conta é analisada sozinha, contra o próprio histórico, a unidade fora da faixa passa despercebida: ela é coerente consigo mesma todo mês. O que ela não tem é coerência com as outras.

 

Compartilhar o risco

 

Há um ponto da entrevista que diz mais sobre o modelo do que qualquer descrição de metodologia. A remuneração da We Save está vinculada à economia efetiva.

 

"A gente entendeu desde o início que precisava compartilhar o risco com o cliente", explicou Lucas Souza. "Se não houver economia ou recuperação de valores, o cliente não paga absolutamente nada."

 

É um desenho que inverte a pergunta de quem avalia. A dúvida deixa de ser quanto custa descobrir e passa a ser o que acontece se nada for descoberto. A resposta, nesse formato, é nada.

 

Hoje a empresa acumula mais de R$ 150 milhões em economias identificadas e mais de 180 clientes em diversos segmentos, com operação sem investidores externos, equipes multidisciplinares e tecnologia desenvolvida internamente.

 

Sustentabilidade que fecha a conta

 

O episódio também tratou de ESG sem o tom de campanha. A posição é direta: sustentabilidade precisa ser economicamente viável para se sustentar. Eficiência hídrica e desempenho financeiro não são agendas separadas que disputam orçamento, são a mesma equação lida de dois lados.

 

Uma operação que reduz perda física em rede interna gasta menos e consome menos. Uma unidade que corrige um enquadramento incorreto não muda o consumo, mas para de pagar por uma leitura de realidade que não é a dela. Nos dois casos, o resultado financeiro e o resultado ambiental caminham juntos, sem precisar de narrativa.

 

Como auditar a conta de água da sua empresa

 

Nada disso exige parar a operação, fazer obra ou trocar equipamento. Uma auditoria de conta de água começa por quatro verificações sobre a fatura que a sua empresa já recebe todo mês:

 

Qual é o enquadramento tarifário de cada unidade. Sobre qual base o esgoto está sendo cobrado. Se o histórico tem leitura ou tem estimativa. Se as unidades do mesmo grupo seguem a mesma regra.

 

Se nenhuma dessas quatro perguntas tem resposta pronta hoje na sua operação, provavelmente existe margem ali. A análise inicial da We Save é sem custo e trabalha sobre a conta que a sua empresa já recebe, sem exigir mudança de consumo, obra ou compra de equipamento. Ela confirma que está tudo correto ou mostra onde não está.

 

 

"Na We Save nós acreditamos que precisamos agregar valor no mundo real", disse Lucas Souza no fechamento do episódio. Começa por olhar o que já se paga.

 

 

We Save. Inteligência que economiza.

 

 

 

por
We Save

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